A HIDROPONIA "TEM QUÍMICA"?

Centenas e centenas de vezes temos ouvido a afirmação de que "A Hidroponia Tem Química", especialmente vInda de agricultores que se dedicam à Agricultura Organica.

Essa afirmação, por si, demonstra um grande desconhecimento de nutrição de plantas por parte de muitos agricultores, e até mesmo do tipo de agricultura que praticam.

Vejamos:- A Química é uma Ciencia, e a Hidroponia é uma Técnica Agrícola, e desconhecemos a maneira pela qual se possa colocar uma ciência dentro de uma técnica, como se ambas pudessem ser adquiridas no comércio ou preparadas em um laboratório, e posteriormente misturadas na forma mais conveniente.

A Hidroponia, é uma técnica que se aprende e se pesquisa, e está baseada em conhecimentos científicos, muitos deles pertencentes à Ciência Quimica, ou Ciência da Química.

Ouvimos dizer frequentemente também, que para uma planta ser saudável e de boa qualidade, deverá ser alimentada com Matéria Organica.

Talvez quem faça tal afirmação, se esteja apoiando na Teoria do Princípio de Vegetação, emitida por Rudolph Glauber em tôrno de 1635, e já destronada por Justos Von Liebig, o Pai da Química Organica, em 1840.

Ora, desconhecemos totalmente alguma planta que consiga alimentar-se de matéria organica, ou mesmo da grande maioria dos compostos organicos. Nem mesmo as plantas carnívoras.

A natureza constitui-se no maior laboratório químico e bioquimico conhecido, e nela tudo se processa atraves de reações químicas, bio-químicas e foto-químicas, alem de outras.

As plantas são seres autotrópicos, ou seja, produzem seu próprio alimento. E fazem-no utilizando 16 elementos químicos dos cêrca de 100 conhecidos.

Parte dêsses elementos elas retiram do ar atmosférico, e outra parte do Meio de Cultura onde estão submersas suas raizes, o qual, na agricultura convencional, é o solo.

Os elementos químicos são retirados do solo pelas raizes, e para que estas possam cumprir esta função, é necessário que tais elementos estejam na forma de moléculas muito pequenas, dissolvidas e ionizadas em água.

As únicas moléculas que apresentam estas características, são aquelas de sais inorganicos. As moléculas de sais organicos, são grandes demais, e não conseguem atravessar nem as paredes das células das raizes, nem os espaços intercelulares destas.

Isto que dizer, que as plantas não podem alimentar-se de matérias organicas, pois que sua estrutura celular, e seus mecanismos de absorção, não o permitem.

Convem notar, que hoje conhecemos alguns compostos organicos de moléculas muito pequenas, que conseguem ser absorvidos pelas plantas.

Porém, tais compostos são normalmente produzidos pelas plantas, para sua própria utilização, e até hoje, não se conseguiu verificar que as plantas usem aqueles absorvidos pelas raizes, embora pela lógica, isto seja perfeitamente viável.

O que aqui falamos, integra conhecimentos simples de Nutrição de Plantas.

Como então, adubando solos com matéria organica, como acontece na natureza, as plantas sobrevivem e se desenvolvem tão bem?

Acontece que no solo, a matéria organica, junto com sais minerais nela existentes e outros compostos e elementos químicos existentes no ar, são o alimento para as bactérias existentes em dito solo.

Essas bactérias, ao alimentar-se, decompõem tais compostos, e dejectam os sais minerais que não lhes são necessários ou que já foram por elas utilizados em suas funções metabólicas.

Esses sais, uma vez dissolvidos e ionizados na água do solo, são então absorvidos pelas plantas.

Assim sendo, a conhecida e tão propalada Agricultura Organica, é na verdade uma Agricultura Inorganica, ou como se diz da Hidroponia, "Tem Química".

Cabe no entanto notar que as plantas produzidas no solo atraves da prática da Agricultura Organica, apresentam riscos sanitários muito grandes, os quais não são comentados ou propalados por seus praticantes.

As matérias organicas são enormes fontes de bactérias patológicas, causadoras de inúmeras doenças ao ser humano, como a cólera, e muitas outras.

Para usar-se como fertilizante do solo, a matéria organica deverá passar por um processo de compostagem, durante o qual se processa a decomposição da mesma pela ação das bactérias.

Esta decomposição dá-se geralmente em duas fases principais, sendo que na primeira ocorre uma fermentação, durante a qual a matéria organica aquece, podendo atingir temperaturas de até 70°C.

Após a primeira fase, a matéria organica resfria-se, e inicia-se o processo final de decomposição, tambem chamado de humificação.

Ainda é crença de muitos agricultores, e até de muitos técnicos, que à temperatura atingida na primeira fase da decomposição, todas as bactérias patogenicas existentes na matéria organica são destruidas.

Isso não é verdade. Existem bactérias patogenicas que, quando submetidas a altas temperaturas, que excedem 150°C, mutam-se, resistindo a elas, e não morrem.

Assim, tais bactérias simplesmente se tornam inativas por estarem num ambiente que não lhes é favorável.

Porém, à menor condição favorável, as bactérias patogenicas voltam à sua atividade, o que é um perigo eminente.

Portanto, o facto de se compostar a matéria organica, não destroi as bactérias patogenicas nela existentes, e como se diz na prática, não provoca a sua esterilização.

É pois recomendável que os produtos agrícolas consumidos "in natura", como certas verduras, sejam prèviamente esterilizados "quìmicamernte", ou pelo menos cozidos.

Verifica-se então, que todas as plantas, sejam hidroponicas sejam provenientes da agricultura organica, alimentam-se e desenvolvem-se da mesma maneira, ou usando as palavras tão em voga, "Têm Química".

As diferenças entre umas e outras, na verdade estão na sanidade e na assepsia, que nas plantas hidroponicas, de longe, é muito maior.